“Nada substitui um bom professor” PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Jornal da Educacao   
27-Fev-2012


No final do ano passado, historiador português António Nóvoa disponibilizou, por correio eletrônico, o seu último livro, sugestivamente intitulado “O regresso dos professores” (http://www.4shared.com/office/ALqxirqg/regresso_dos_professores.html), sendo dedicado aos docentes brasileiros. Na era da mercatilização de materiais impressos e digitais, trata-se de um ato de generosa democratização do conhecimento.
 
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Atualmente o professor Nóvoa é Reitor da Universidade de Lisboa, mas, nas últimas décadas, destacou-se pela reflexão histórica sobre a profissão docente em Portugal e na Europa. Em “O regresso dos professores”, ele reflete, de forma instigante, sobre os desafios docentes no mundo contemporâneo. A volta dos professores ao centro da pauta educacional global deve-se ao problema fulcral das aprendizagens, objeto de relatórios sobre a educação escolar elaborados por organismos internacionais. 
Na “nota de apresentação” dessa obra, Nóvoa recoloca a sua aposta na atuação docente, ao afirmar: “A investigação é muito importante. O currículo e os programas de ensino são muito importantes. A gestão e administração das escolas é muito importante. Os materiais didácticos e as tecnologias são muito importantes. Mas nada substitui um bom professor”.  
Contudo, ele afirma que é necessário “passar a formação de professores para dentro da profissão”, a exemplo da formação médica nos hospitais e em contato com profissionais competentes e experientes; “promover modos de organização da profissão”, marcados pela cultura colaborativa; e “reforçar a dimensão pessoal e a presença pública dos professores”.
De modo provocativo e surpreendente, Nóvoa problematiza a tradição escolanovista entranhada nos discursos pedagógicos atuais. Nesta direção afirma que, ao longo do século XX, a escola foi agregando missões sociais (educações física, sexual, financeira, etc.), que sufocam o que é “especificamente escolar”. 
Para desmontar o que chama de “escola transbordante”, sugere a “re-escolarização” com foco nas aprendizagens – e não no ensino. De outra parte, Nóvoa questiona o ativismo na sala de aula numa sociedade plasmada por mudanças frenéticas, afirmando: “O silêncio, a introspecção e o estudo são costumes a recuperar”. Essas provocações são fundamentadas na compreensão histórica do fenômeno escolar e nos fazem pensar.
Neste momento de retorno dos professores às suas escolas para o planejamento do ano letivo, a leitura de “O regresso dos professores” é oportuna e saluta para repensar a prática docente. 
 
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