Falta de professores se agrava a cada ano (Jan/Fev 2012) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Jornal da Educacao   
24-Fev-2012


O ano letivo de 2012, ano de eleições municipais, começou do mesmo modo que muitos outros: escolas interditadas, falta de professores agravada, o início do ensino em tempo integral em algumas escolas, a dança das cadeiras nas secretarias de estado e de municípios e milhares de estudantes chegando eufóricos para conhecer os novos colegas e retornar à rotina que traz consigo a segurança e a tranquilidade necessários aos desenvolvimento saudável.


Novamente, como tem acontecido nos últimos anos, milhares de estudantes chegam às salas de aula e não há professores para atendê-los. E pior, os cursos de licenciatura estão sem alunos. Ou seja, a tendência é a carência de professores se agravar ano após ano. 
Talvez este seja o maior problema do Brasil e o maior entrave ao crescimento desejado. Já é consenso na sociedade e mesmo entre os governantes que sem educação, sem ensino de qualidade, as empresas não conseguirão crescer nem em produção e nem em oferta de emprego para as gerações futuras. 
Os jovens já não querem estudar para ser professor e quando questionados, a resposta é rápida e repetitiva: porque eu daria com os dois pés no aluno mal educado, ou “eu mataria um por dia”.
Outras profissões pagam bem menos e outras, obviamente, pagam bem mais. A verdade é que até mesmo os estudantes sabem que a profissão exige muito esforço e dedicação. Muitos anos de estudo, muitas horas de lazer perdidas em meio a livros e cadernos para preparar aulas, corrigir provas e registrar avaliação e, o pior e mais desgastante, o desrespeito por parte dos alunos dentro e fora de sala de aula. Há muito que ser professor deixou de ser sinônimo de status e reconhecimento social.
Não raro os estudantes tratam o professor como se fosse um coleguinha de classe e freqüentemente os próprios alunos dizem que o professor não é amigo porque não deu os pontos que faltavam para passar de ano sem recuperação.     
Que o salário do professor é baixo, todos sabem. Que este é o profissional mais necessário à sociedade, também.
Que o professor é indispensável à formação de todo e qualquer profissional, também é de conhecimento de todos. 
Nos últimos anos, também o discurso de que é preciso valorizar o professor passou a ser corrente.  É preciso respeitar o professor. É preciso se orgulhar de ser professor, são expressões que se repetem. Mas as ações em favor de tornar realidade este discurso, ainda são poucas, muito lentas e quase inexistentes.
Vale lembrar também que não é somente uma questão salarial. O ambiente de trabalho do professor é tão ou mais importante quanto a remuneração pelo seu trabalho. 
Os próprios alunos reconhecem que o desrespeito torna o trabalho infinitamente mais difícil em sala de aula.
A valorização do professor precisa começar em casa, com os pais ensinando aos filhos que devem e precisam respeitar os professores, cumprir as tarefas que lhes são atribuídas e, principalmente, participar ativamente das aulas em sala ficando atento durante as explicações e ajudando a manter o ambiente de trabalho do professor em harmonia para favorecer a aprendizagem de todos. 
Se o aluno cumprir seu papel de estudante, o professor estará sendo valorizado. Não podemos mais admitir que os pais se sintam com direito de dizer ao professor que nota seu filho deve ou deveria ganhar pelo trabalho ou redação que fez. 
Em vez de ir à escola cobrar do professor a nota do filho, os pais deveriam ir ao fundo de suas consciências e aos cadernos dos filhos e descobrir o que este deixou de fazer para merecer a avaliação ou nota atribuída pelo professor. 
E, nunca é demasiado lembrar que o professor é, e precisa continuar sendo, a autoridade maior em sala de aula, seja em conhecimento, seja em domínio de turma, seja em respeito tanto por seus alunos, quando por seus colegas de trabalho.
 
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