Avaliação dinâmica e contextualizada (Dezembro/2011) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Jornal da Educacao   
14-Dez-2011


Sou coordenadora pedagógica de uma escola de ensino fundamental e gostaria  de saber sua opinião sobre as avaliações que os professores realizam, pouco contextualizadas, com questões pobres, sem atrativo algum para os alunos que a realizam... Resultando em desinteresse e resultados insatisfatórios.
Gostaria que me enviasse algum artigo de auxílio para trabalhar em minha reunião de professores... Se puder me ajudar, ficarei muito grata.
Atenciosamente,
Caren D.


 
Olá Caren!
Quanto à sua questão, vejo que as avaliações feitas são as mesmas que eu respondia na minha escola pública há mais de 25 anos, algumas até piores. Aliás, as que eu respondia eram as mesmas de escolas da década de 40 ou de 30 do século XX.
Nossos professores têm muita dificuldade de avaliar por simplesmente não saberem como ou mesmo o que avaliar num aluno.
Existem “N” métodos de se avaliar, que passam longe de uma mera prova ou um mero trabalho copista. 
Na verdade, uma boa prova mede, sim, o conhecimento, desde que os alunos saibam o que o professor vai pedir nesta tal prova, quais as áreas que ele vai medir. Não se trata de dizer quais as questões, mas de dizer ao aluno que ele tem de saber estes, aqueles e tais tópicos.
Ao iniciar uma atividade, se todo professor explicasse a finalidade de se estudar um assunto, sua utilidade na vida e que, ao final do assunto o aluno deveria saber estes e aqueles tópicos, nós teríamos uma melhora acima de 70% nas avaliações e na aprendizagem. Isto quem diz são praticamente todas as pesquisas realizadas no Brasil e no Exterior.
Ou seja: uma mera prova com um sentido na vida da pessoa. E pode-se consultar, sim, aqueles que quiserem se sentir úteis, desde que também se pudesse realizar uma Avaliação sobre  retenção do tema, feita de forma contextualizada, para verificar a aquisição da habilidade desenvolvida ou de uma competência determinada dentro de um assunto.
Claro que os alunos com distúrbios de aprendizagem necessitam de atenção especial e outras formas de medição do saber. Mas dentro de suas limitações, identificando determinadas relações com o tema, verificando a aquisição de novas habilidades, teríamos também nos alunos com dificuldades de aprendizagem um resultado muito melhor do que temos.
Para aumentarmos o nível de conhecimentos dos alunos o que realmente falta é professor com maior domínio didático e doses elevadas de conhecimento técnico de formas reais de avaliação, claro, cozidos ao molho da boa vontade.
Mais do que técnicas, precisamos de autenticidade e de colocar os pés no chão dos alunos e principalmente do professor, que, ao aprender a olhar para o mundo real, dá sentido à aprendizagem e retira conteúdos tolos e sem sentidos de sua grade ou os transforma em assuntos de interesse e sentido na vida do estudante. 
Nisso, o aluno compreende a função da avaliação, se prepara naquilo que vê sentido em apresentar, discutir, mostrar o quanto cresceu em determinado tema.
Se nossos professores investissem mais em projetos interdisciplinares, em preparo de aulas práticas, em uso coerente e efetivo de tecnologias educacionais, nossos alunos adorariam ficar na escola e adorariam tentar, ousariam responder, desejariam a avaliação.
Tenho acompanhado professores que fazem o simples em sala de aula, mas que dão um tom animado, uma dinâmica arrojada na hora de explicar, que problematizam uma situação para adentrar aos assuntos para fazer a turma pensar, que usam tecnologias simples, mas eficazes, que intercalam disciplinas no mesmo tema e verifico o milagre da ressurreição do interesse dos alunos. A própria lida dos alunos com o tema já favorece a avaliação, neste contexto acima descrito.
A cada época de avaliação, é o momento dos educadores pensarem sobre a forma de avaliar e a validade de se reprovar alunos que, na sua realidade de vida, pouco ou nada utilizarão dos conteúdos na forma como foi apresentada... 
Vale a pena reprová-los? 
Se colocarmos estes alunos para encontrarem tais assuntos em suas vidas, seja num computador ou numa revista velha e, estes conseguirem diferenciar ou identificar as nuances do tema, ainda assim devem reprovar? 
Encontrar o caminho do bom senso é a tópica, sempre estimulando a todos, sem desvalorizar quem tem dificuldades nem ignorar o mérito dos ótimos. Todos são ótimos, afinal. 
 
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