Planejamento familiar nas escolas: Por um Futuro Melhor (Novembro/2011) PDF Imprimir E-mail
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PiorMelhor 
Escrito por Jornal da Educacao   
22-Nov-2011


Por mais estranho que possa parecer, existem, e muitos, pais que no suportam dividir seu tempo e seu mundo com os prprios filhos. Para eles somente o que eles dizem e o que fazem certo e bom. A suportam ficar prximos de suas crias, quando percebem que so admirados. Esquecem que em casa so pais, no so os profissionais vidos por cargos e dinheiro que incorporam quando colocam o p fora de casa.


H, em muitos adultos de nosso tempo, uma necessidade incrvel de se autoafirmar em tudo que podem, em mostrar sua grandiloqncia (na verdade sua presuno) em todo ser vivente ao seu redor. uma forma de tentar preencher um vazio existencial que assola os que vivem sem maiores perspectivas, num mundo to chato, do ponto de vista politicamente correto, e to competitivo, sob a tica capitalista e consumista de nossa sociedade.
Seria melhor que abdicassem da paternidade ou da maternidade, para ambos, pais ou criana, mas estes por questes sociais ainda ficam ao lado de seus filhos, mesmo a contragosto. Os muitos relatos que tenho ouvido nos ltimos anos confirmam minha afirmao. Como tenho por norma no julgar nem me deixar levar pela situao do outro, procuro entender ento o que se passava na cabea da pessoa que quer ter um filho que mais tarde ser um estorvo. Talvez o mesmo que leva um educador a aceitar trabalhar em escolas onde detestam tudo, mesmo sabendo deste tudo que os esperava antes de assinarem um contrato: imediatismo, o calor do momento sem pensar num depois.
Atualmente, na nossa regio, a educao de casa catica! Os pais atuais so inseguros, neurticos e ansiosos demais, passam suas angstias de ambio aos filhos, excedem nos deslizes de maus exemplos. O resultado, vemos nas ruas: falta educao e sobram mortes no trnsito, sumiram os bons modos sociais e o respeito ao outro e ao coletivo. Os outros, para as crianas desses pais, parecem objetos que se pode desprezar. Os pais, impotentes e sem voz dentro de casa, continuam machistas, no se abrem s mudanas que forneam justia e igualdade, tm preconceitos que os filhos refletem na escola e na sociedade, acham que a Lei para os outros, mas consigo mesmo so permissivos. Vamos dar exemplos da permissividade e da corrupo presentes nas nossas famlias? Vejamos coisas comuns, porm, jamais normais: baixam msicas e filmes piratas, sonegam imposto, compram produtos vindos de contrabando, param em fila dupla na frente das escolas, burlam leis, furam fila at no cinema, lidam mal at com a dieta dos filhos, mas juram que so exemplares. Em frente da escola dos meus filhos, os pais param no meio da rua para os reizinhos descerem, desrespeitam a faixa de segurana, parecem selvagens. Que exemplo eles do s crianas? Como cobrar dos polticos se ensinamos a nossos filhos que o errado para ns certo?
Importante frisar que no a escola que deve ensinar isso: Honestidade e bons modos aprende-se em casa. Estamos criando uma gerao permissiva, imediatista e mais corrupta ainda, mas a escola no deve substituir a famlia e se perde quando tenta fazer tal bobagem.
Para valores de convivncia imutveis, quem instrui so os pais, para coisas simples e to importantes como desejar bom dia, agradecer, saber a hora certa de falar e de calar, pedir licena, ser polido e ter bons modos. Isso vem de casa.
Qual o papel da escola nesse processo? Ao invs de deixarmos nossos alunos mofando sobre matrias inertes, um projeto cairia bem: estudar e discutir o planejamento familiar. Estudar a construo da prpria famlia, saber de si mesmo e da histria de vida dos pais, refletir sobre elas para construir vidas melhores ou to positivas quanto puderem. Isto levaria a novas questes: estudar o planejamento de vida, estudar questes da economia dos lares, sobre nmero de filhos, sobre profisses, a gravidez indesejada, o melhor momento de se constituir famlia, as novas composies familiares e por a vai.
Nossos jovens esto precisando pensar. Pensar sobre o futuro. Pensar sobre planejamento de suas aes, criar uma identidade, para evitar que um traficante convena-os e distora suas definies sobre si com modelos positivos de conduta. Quem pensa isto nas aulas de matemtica? E tais questes em Lngua Portuguesa? O que mais importante? Bscara, adjuntos adnominais ou criar uma gerao consciente de sua vida e responsveis pelas outras? Se nossos pais tivessem estas disciplinas, estaramos numa sociedade melhor, menor, com menos pessoas sofrendo e menos gente desequilibrada. Uma amiga, educadora das boas, sempre diz a seus alunos: quanto mais filhos ter, mais pobres vo ser. E no adianta reclamar dos filhos. Vov dizia: a fruta no cai longe da rvore.
 
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