A reforma Orestes Guimarães (final) (Novembro/2011) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Jornal da Educacao   
22-Nov-2011


Gladys Mary Ghizoni Teive*

 

Em 15 de novembro – dia da proclamação da República – comemora-se o centenário da inauguração do Grupo Escolar Conselheiro Mafra, de Joinville. A data não poderia ser mais emblemática: os grupos escolares foram criados no Brasil no início do período republicano para serem os pilares da República, a instituição que segundo o imaginário republicano, deveria civilizar através da alfabetização, da educação moral e cívica e do acesso a conhecimentos científicos e patrióticos básicos, assim como integrar o imigrante estrangeiro a nação.

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O nome escolhido para o primeiro grupo escolar implantado no Estado de Santa Catarina constituiu-se em uma homenagem a Manuel da Silva Mafra, que havia sido deputado e ministro da justiça no período imperial e, como jurista, no início do século XX, defendeu o Estado de Santa Catarina nas disputas territoriais com o Estado do Paraná na chamada “Questão do Contestado”. Pela defesa do território catarinense, Conselheiro Mafra tornou-se uma autoridade distinta na Primeira República. 

O pioneirismo de Joinville deveu-se, em boa medida, ao fato de o professor Orestes Guimarães ter atuado, entre 1907 e 1909, como reformador do Colégio Municipal de Joinville. A reforma representou uma transformação significativa do ensino primário, pois suprimiu a divisão escolar entre alemães e “brasileiros”, que tinham cursos diferentes, e as classes mistas. 

Por outro lado, estabeleceu quatro classes de ensino primário para cada gênero e introduziu a uniformização do programa, procurando garantir saberes de cunho patriótico, como Língua Portuguesa, História e Geografia do Brasil, e científico. 

As mudanças introduzidas no Colégio Municipal de Joinville por Orestes Guimarães, auxiliado pela professora Cacilda Guimarães – sua esposa –, foram um ensaio da reforma liderada em nível estadual por esse professor, a partir de 1911, no Governo Vidal Ramos.

O prédio do Grupo Escolar Conselheiro Mafra não era novo, mas uma adaptação do antigo Colégio Municipal de Joinville. Tratava-se de um prédio híbrido, que conservava  arquitetura de corte germânico, mas inscreveu o nome do grupo escolar no centro da fachada e dividia claramente as seções em masculina e feminina. 

O Grupo Escolar Conselheiro Mafra, portanto, sinalizou uma nova era no ensino primário catarinense, marcada pela escolarização graduada materializada em prédios grandes e modernos.  

A inauguração do Grupo Escolar Conselheiro Mafra, distinguido com a presença do Governador Vidal Ramos, do professor Orestes Guimarães e de autoridades estaduais e locais, indicava que a modernização do ensino primário em Santa Catarina se concretizava em Joinville e criava expectativas em outras cidades catarinenses.

 

*Professora da UDESC e autora dos livros “Modernização econômica e formação de professores em Santa Catarina (Editora da UFSC) e “Uma vez normalista, sempre normalista”: cultura escolar e produção de um habitus pedagógico (Escola Normal Catarinense – 1911-1935) (Editora Insular). E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

 

 
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