A solidão do professor e sua necessidade de ajuda (Outubro/2011) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Jornal da Educacao   
25-Out-2011


 Mais um Dia do Professor se vai. E, apesar dos jantares, dos encontros, dos cafés e homenagens neste dia, a realidade solitária do professor continua a mesma. Há muito reafirmamos esta solidão e já é tempo de encontrar uma solução. O remédio para a solidão é a inserção no coletivo.
 


Em Portugal, o projeto Escola da Ponte, foi desenvolvido exatamente porque os professores estavam sendo constantemente desrespeitados e até agredidos, inclusive fisicamente, na sala de aula. 
Uma das primeiras providências propostas pelo grupo de professores fundadores,  foi eliminar as paredes das  salas de aula e colocar todos os professores a atender a todos os estudantes.
 Ministrando suas aulas num espaço coletivo único, sendo responsáveis por pequenos grupos, mas também pelo coletivo, os professores davam suporte um ao outro.
Qual aluno iria agredir um professor aos olhos de todos os colegas e demais professores? 
Portanto, a famosa Escola da Ponte conseguiu resolver, o problema da solidão do professor, tornando a sala de aula um espaço coletivizado, plenamente visível, como deve ser um espaço público.
Ao acabar com o confinamento da sala de aula, eliminou-se também a possibilidade de embate entre um único professor e seu aluno. O que grande parte das vezes, se expande para toda a turma e também, se mal administrado, para todo o conjunto da escola.
A realidade brasileira, entretanto, não apresenta solução semelhante. Os casos de agressão aos professores geralmente são tratados como problema de indisciplina e na maioria das vezes, a escola dá uma “solução doméstica”. 
E agressão física ou mesmo oral não é caso de indisciplina, é infração e, portanto, caso de polícia. 
Em poucos estabelecimentos de ensino há suporte ao professor, que por ser um ser humano, ter família, problemas de saúde e com o agravante da forte pressão e estresse, inerentes à profissão, fica sozinho e apesar de ser vítima, muitas vezes passa a ser tratado como algoz. 
Trabalhar com pessoas é difícil, e mais difícil ainda com seres humanos em formação. O professor precisa de ajuda. E, mais do que isso, precisa ser fortalecido, autorizado e apoiado em suas ações, pelo conjunto da escola, para poder enfrentar os desafios diários e conseguir conviver pacificamente com os alunos, os colegas de profissão e ainda disseminar conhecimento. Ao proteger o professor,  o aluno também estará protegido, muitas vezes de si próprio. 
Apesar de estar solitário em sala de aula e trabalhar grande parte do tempo sem o suporte necessário, na relação com o aluno, o professor sempre é o adulto. E como adulto, caberá ao professor administrar os conflitos,  que em todas as situações, sempre será um Ser em construção, seja criança, adolescente ou adulto. 
O professor, primeira profissão na escala de importância da sociedade atual, continuará por algum tempo solitário em sala de aula. Embora sua importância não seja questionada E, até por esta mesma razão, a profissão talvez seja a mais solitária e exigente de todas. 
Neste mês do professor, é ele mesmo quem terá que reforçar-se e comemorar sem perder de vista que sua situação continua a mesma de dezenas de anos.
E por esta razão, será preciso ser não somente solidário com os alunos, mas também, e principalmente, consigo mesmo e com seus colegas de profissão, formando uma barreira coletiva contra a violência crescente na escola. 
 
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