Concentração e Manutenção da Atenção: Fatores essenciais à aprendizagem efetiva (Agosto/2011) PDF Imprimir E-mail
Classificação: / 3
PiorMelhor 
Escrito por Jornal da Educacao   
17-Ago-2011


 “Olá, Psicólogo Gilmar. Recebi um artigo seu por um jornal do Kumon - Sobre a inteligência... (Edição de Outubro/2007) - Jornal da Educação, no qual me interessei bastante, vou ler os outros. Em relação a inteligência, nós a desenvolvemos ao longo dos anos, por fatores biológicos e sociais.  Tenho algumas dúvidas:  
- Negativo - Meu filho, 10 anos, é disperso e não consegue se concentrar por muito tempo nas tarefas para casa e de sala de aula. Tem 50% de responsabilidade no seu dia a dia.  Onde o Sr. acha que errei? Ou será comportamental?
 - Positivo - Tem habilidades em videogames, Legos, é extremamente observador, etc. Ele estuda em escola particular.  Em acompanhamento com psicóloga, nada detectado, inteligência normal. 
Abraços, bom trabalho e obrigada por suas contribuições e dedicação ao próximo. Regina G.” (Carta de leitora enviada no início deste ano, por e-mail)
 

Senhora Regina, obrigado por seu contato. Quanto a seu filho, a inteligência pode ser normal mas, se a ATENÇÃO CONCENTRADA não estiver adequada, ele não responde a muitos fatores. Por exemplo: aprende fácil o que consegue pegar no tempo em que está concentrado, mas em tarefas onde o fator emocional não o motive ou atividades que possam ser mais maçantes (a maioria dos conteúdos trabalhados na escola atualmente AINDA estão maçantes, chatas e sem sentido na vida dos alunos) a tendência é a dispersão. Por exemplo, ele não  completa suas atividades, distorce assuntos, irrita os adultos, demora para executar as tarefas dadas, enrola para fazer as coisas, fica distraído, fica fazendo hora e não cumpre o que deve fazer. 
A criança dispersa ou distraída (que pode ter desde uma diminuição mínima na atenção até o tão divulgado TDA-H) pode, nestas ocasiões, ter situações onde se mostra impulsivo, as tarefas escolares e as tarefas domésticas (sim, nesta idade devemos colocar certas tarefas que desenvolvem a responsabilidade e a colaboração doméstica) ficam chatas e ele faz “pela metade”,  a criança fica ansiosa, tem “brancos na memória” quando mais precisa lembrar, vez ou outra esquece as coisas e por aí vai...
Não se culpe, não veja seus atos de mãe como erros. Até porque julgamentos são dispensáveis e por nossa mania de julgar os outros é que o mundo está tão desnorteado como o vemos. Naqueles pais e mães que assumem a sua condição de serem pais e mães, os erros mais comuns vem da tentativa de acertar. Podemos errar tentando o melhor. Também sou pai e erro muito. Não há manual de instrução na criação de filhos. Existe bom senso mas, lidando com humanos e sendo humanos, nem tudo é certinho, não...
Distúrbios de atenção induzem até os profissionais mais experientes ao erro. Como o TDA (Transtorno do Déficit de Atenção ou DDA: Distúrbios do Déficit de Atenção, depende da literatura), que é sem a Hiperatividade e o TDA-H (déficit de atenção com hiperatividade) são alterações que acometem muitas crianças no mundo atual, pode-se confundir distrações rotineiras, stress, início de uma depressão (que deixa a criança agressiva e agitada), com TDA.
Quanto ao videogame, mais de duas sessões INTERCALADAS de uma hora (o mesmo para o computador) provocam fadiga mental e o cérebro piora a qualidade da concentração.
A psicóloga dele deve fazer as testagens de atenção, caso contrário, procure outro profissional. Aliás, peça para ela lhe dizer quais os testes aplicados nele até aqui. Somente profissionais com cursos de formação na área e com diálogo com os médicos e educadores se chega a um diagnóstico preciso.
Como disse anteriormente, vários sintomas da criança são confundidos com TDA: crianças tendem a ser mais dispersas e desatentas, sem tempo de concentração adequado quando são acometidas por anemia, verminoses diversas, alterações do sono, pressão psicológica advinda dos pais, irmãos, professores e colegas (bullying), excesso de televisão, videogame, computador ou mesmo de exercícios físicos.
A própria alimentação balanceada é decisiva para manter a atenção focada na atividade. Alimentos gordurosos, excesso de açúcares tem reações diferentes no corpo e podem contribuir para a queda ou aumento da atividade metabólica e também interferem na atenção.
Mas o que mais tira a atenção do foco desejado pelos educadores é o péssimo planejamento das atividades. Ou nossos professores planejam atividades desafiadoras e ligadas à realidade ou nossas crianças buscam outros focos, concentrando mais em atividades de lazer do que nas educativas. 

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
Advertisement

Qual a sua opinião?