Violncia e escola: a participao do gestor na sua preveno e conseqente minimizao PDF Imprimir E-mail
26-Jul-2011



Diego Segobia Bocci[1]



Resumo: A violncia um fenmeno social, que inclusive, se manifesta nas escolas, sejam elas pblicas ou particulares, sob diversas formas, proporcionando conseqncias nocivas ao psicolgico e fsico das vtimas; geradas por distintos atores que as freqentam e no, exclusivamente pelos alunos. Nesse sentido, a gesto escolar apresenta-se como pea chave para o desenvolvimento e aplicao de um projeto pedaggico, que permita a manuteno da qualidade dos processos de ensino e de aprendizagem e tambm da relao entre os membros escolares.

Palavras-chave: Escola, Gesto, Violncia.

Abstract: Violence is a social phenomenon, which also manifests itself in schools, whether public or private, in various forms, providing harmful consequences to the victims' psychological and physical, generated by different actors who frequent them and not exclusively by students. In this sense, the school management is presented as key to the development and implementation of an educational project, which permits the maintenance of quality of teaching and learning and also the relationship between the school members.

Key-words: School, Management, Violence

Introduo

O presente artigo visa analisar como a ao da gesto escolar pode influenciar os casos de violncia que ocorrem nas escolas, no que concerne sua perpetuao e, conseqente auto-suficincia ou ainda reduo, em outras palavras, minimizao.

Para tanto, iniciar-se- a anlise a partir da reflexo sobre o conceito de violncia, devido sua abrangncia, posteriormente, a sua manifestao enquanto fenmeno nas escolas, desvinculando qualificaes generalistas para qualquer situao de atrito que normalmente ocorrem nestas e, finalmente, a abordagem da gesto escolar.

Reflexo: violncia e possveis manifestaes na escola

O cotidiano escolar reflete o contexto histrico de um perodo, marcado por distintos fatores sociais, econmicos e polticos, portanto culturais, assim [...] a educao no pairou acima das contingncias polticas, sociais e econmicas, mas delas recebeu influncias marcantes, (BARRETTO, 1992, p. 57).

Nesse cenrio, h uma grande diversidade socioeconmica, poltica e religiosa, convivendo intensamente e, ao mesmo tempo, nesse ambiente, constituindo o palco dos possveis resultados da combinao das distintas realidades trazidas pelos alunos e funcionrios, desta forma, criando e desenvolvendo as situaes sob as quais, o grupo escolar dever agir.

Com isso, possvel conceber que toda essa pluralidade cultural, que tambm engloba as intenes polticas e os conflitos socioeconmicos de um perodo, proporciona o cenrio de atuao das unidades escolares, que embora administrando suas individualidades, compartilham pontos comuns, desde a subordinao a leis e regras, at a falta de assiduidade dos professores, indisciplina discente generalizada, excesso de notas vermelhas e outros.

Com base no cenrio desenvolvido acima e pelo proposto na introduo, a compreenso da palavra violncia, no tema de debates atuais, mas de longa data, h uma dificuldade para se acordar um significado comum, j que definitivamente uma palavra-valor, uma palavra que implica referncias ticas, culturais, polticas (CHARLOT, 2006, p. 24), ou seja, proporciona uma considervel abrangncia de significados possveis, carregados de intenes, ideologias e valores. Antes pudssemos encar-la simplesmente como uma palavra do cotidiano, de origem etimolgica que;

[...] remonta ao termo latino violentia (fora, carter bravio ou violento) e ao verbo violare (transgredir, profanar, tratar com violncia). O ncleo de significao vis significa fora, vigor, potncia, violncia, emprego de fora fsica, mas tambm quantidade, abundncia, essncia de alguma coisa. (MICHAUD apud NOGUEIRA, 2007, p.61).

Entretanto, deve-se conceb-la como um conceito que possui uma ampla zona significativa, atrelada as percepes enraizadas em diferentes sociedades, ao longo do tempo, j que a violncia um conceito relativo, histrico e mutvel [...] ressignificada segundo, tempos, lugares, relaes e percepes, e no se d somente em atos e prticas materiais (ABRAMOVAY et al., 2006, p. 54), com isso, conceituar violncia no parece ser uma tarefa simples. Por isso, no possvel analisar a violncia de uma nica maneira, tom-la como fenmeno uniforme, (NOGUEIRA, 2007, p. 60).

Nesse contexto, Charlot (2006) afirma que a violncia uma nomeao atribuda ao fsica ou falada, na qual o individuo perde seus direitos, enquanto membro de uma sociedade, tendo em vista, que so essas situaes que os negam. Enquanto para Castro;

O termo potente demais para que [um consenso] seja possvel. No obstante, um entendimento do termo ditado pelo senso-comum , grosso modo, que a violncia classifica qualquer agresso fsica contra seres humanos, cometida com a inteno de lhes causar dano, dor ou sofrimento. (apud ABRAMOVAY et al., 2006, p. 55).

J para Fernndez-Villanueva (apud Salles et al., 2008, p. 16), a violncia se caracteriza por um tipo especfico de relaes sociais que para serem mantidas precisam de uma ameaa latente ou explicita.

A mesma autora, (Salles et al., 2008, p. 16), ainda faz referencia Gilberto Velho e Marcos Alvito organizadores do livro Cidadania e Violncia das editoras UFRJ/FGV que compreendem a violncia no se limitando [...] ao uso da fora fsica, mas a possibilidade ou ameaa de us-la constitui dimenso fundamental de sua natureza. Com isso, possvel destacar que a violncia pode estar relacionada possibilidade da imposio de vontades e desejos de um ator sobre o outro.

Com base nos pargrafos anteriores, em que foram apresentados diversas significaes sobre violncia; possvel apreender que h pontos similares, em outras palavras, elementos comuns, que possivelmente permeiam diferentes concepes sobre esse conceito como, por exemplo;

A noo de coero ou fora e o dano que produzido [...] violao de direitos humanos e sentidos para os vitimados, sendo, portanto bsico privilegiar no conceito de violncia tanto princpios civilizatrios sobre direitos [...] quanto o percebido, o sentido, o assumido como sofrimento, dor ou dano. (ABRAMOVAY et al., 2006, p. 56).

Conforme o desenvolvimento acerca do conceito violncia, pode-se caracteriz-lo como a ao e ou ameaa fsica, simblica e verbal dirigida a um indivduo, acarretando conseqncias danosas a sua integridade corporal e ou psicolgica. Partindo desse ponto, sob a ptica do contexto escolar, como se compreenderia a manifestao desse fenmeno?

Primeiramente, os casos de violncia escolar no so acontecimentos exclusivos das ltimas dcadas ou ainda tpicos dos nossos dias, pois perpassam esse ambiente, possivelmente desde a sua criao em maior ou menor intensidade de ocorrncia no entanto, ao longo do tempo, foram suas feies, que se tornaram diferentes daquelas de pocas passadas.

Assim, Charlot (2002, p. 432) considera que [...] a violncia na escola no um fenmeno radicalmente novo, ela assume formas que, estas sim, so novas e ainda para o respectivo autor (2002), a mesma caracterizada por ser mais grave, envolver crianas cada vez mais novas, pelo clima interno de constante medo e receio de que algo negativo possa acontecer, a qualquer momento e por sofrer invases externas, das quais;

[...] trata-se, por vezes, da entrada nos estabelecimentos escolares, at mesmo nas prprias salas de aula, de bandos de jovens que vm acertar, na escola, contas das disputas nascidas no bairro; trata-se, mais seguidamente ainda, de um pai, de uma me, de um irmo, de um amigo, que vem vingar brutalmente uma injustia sofrida por um aluno, da parte de um membro do pessoal da escola. H a uma outra fonte de angstia social: a escola no se apresenta mais como um lugar protegido, at mesmo sagrado, mas como um espao aberto s agresses vindas de fora. (CHARLOT, 2002, p. 433).

Nesse sentido, [...] a violncia, nas escolas um fenmeno perpassado por mltiplas fontes de tenso sociais, institucionais, relacionais e pedaggicas que hoje agitam os estabelecimentos de ensino [...] (CHARLOT apud ABRAMOVAY et al., 2006, p. 80), com isso, h dois plos geradores de violncia; o primeiro vinculado a prpria escola, pois a sua organizao interna que interfere diretamente em como ocorrem s interaes entre funcionrios/alunos, alunos/alunos e funcionrios/funcionrios; j o outro plo concerne influncia externa no que concerne, por exemplo, aos valores culturais disseminados, papel da famlia, realidade socioeconmica dos alunos, leis e ideologias polticas entre outros que adentra os muros escolares, atravs dos indivduos que a freqentam. Como resultado, h uma contnua relao entre esses plos, ora um sobrepondo-se ao outro, assim interferindo na gerao de casos de violncia, desta forma, coexistem simultaneamente.

Em referencia ao segundo plo apresentado no pargrafo anterior Salles et al. (2008, p. 17) oferece uma contribuio fundamental para a presente anlise, pois reflete que a violncia faz parte, tambm, do cotidiano escolar [...] atribuda a fatores relacionados ordem social mais ampla que, no entanto, repercutem na escola [...].

Com isso, atravs dessa perpetua relao entre os plos internos e externos, que se podem caracterizar as vertentes assumidas pela violncia na escola, que na ptica de Charlot (2002) se constituem sob trs formas; violncia escola, violncia da escola e violncia na escola.

A primeira vertente refere-se violncia gerada pelos alunos contra a escola, ou aqueles que a representam, na forma de agresses fsicas e psicolgicas, alm da depredao do conjunto fsico escolar como, por exemplo, o prdio, carteiras, cadeiras, sanitrios e outros componentes materiais e de infra-estrutura que fazem parte da escola.

J a segunda vertente tange violncia causada pelas atividades institucionais e pelo tratamento dos funcionrios para com os alunos, atravs dos [...] modos de composio das classes, de atribuio de notas, de orientao, palavras desdenhosas dos adultos, atos considerados pelos alunos como injusto ou racistas [...] (CHARLOT, 2002, p. 433).

Por fim, a terceira vertente concerne aos casos de violncia que ocorrem dentro da escola, mas no se originaram nesse recinto, ou seja, poderiam ter acontecido em qualquer lugar como, por exemplo, estupros, assassinatos por acertos de gangues rivais entre outros casos.

proposta conceptiva de Charlot, pode-se acrescentar uma quarta vertente de caracterizao da violncia escolar, que possui razes profundas a exposio desse autor, o bullying. Sob essa perspectiva, a escola torna-se um ambiente de perigo contnuo e constante, assim a violncia, principalmente, de alunos contra alunos se mantm atualmente como um estigma escolar.

Nesse cenrio, pode-se caracterizar o bullying, por atos fsicos ou verbais que so dirigidos significativamente de alunos para alunos no ambiente escolar, acarretando conseqncias nocivas a sua integridade corporal e ou psicolgica, assim;

[...] bullying compreende todas as atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivao evidente, adotadas por um ou mais estudante contra outro(s), causando dor e angstia, sendo executadas dentro de uma relao desigual de poder [...] conseqente da diferena de idade, tamanho, desenvolvimento fsico ou emocional, ou do maior apoio dos demais estudantes. (NETO, 2005, p. 165).

Com isso, pertinente afirmar que bullying materializa-se em comportamentos agressivos que ocorrem nas escolas, alm isso, atualmente, a internet usada, em inmeros casos, para a realizao do bullying, assim extrapolando os limites da escola e alcanando o mundo atravs de sites de relacionamento, e-mails, mensagens pblicas de textos curtos e longos, fotos e vdeos e tambm atravs da telefonia fixa e mvel, caracterizando o que alguns autores consideram como cyberbullying, que [...] trata-se do uso da tecnologia da informao e comunicao [...] como recurso para a adoo de comportamentos deliberados, repetidos e hostis, de um indivduo ou grupo, que pretende causar danos a outro(s). (BELSEY apud NETO, 2005, p. 166).

Muitas vezes, devido freqncia das ocorrncias que so tradicionalmente admitidos como naturais, sendo habitualmente ignorados ou no valorizados, tanto por professores quanto pelos outros profissionais e responsveis legais, assim [...] termina por ser considerado naturalizado, como se fosse normal, prprio da adolescncia. A banalizao do bullying provoca a insensibilidade ao sofrimento, ao desrespeito, invaso do campo do outro (NOGUEIRA, 2007, p. 207).

Nesse sentido, [...] uma forma de violncia que sempre existiu nas escolas, onde valentes e briguentos oprimem suas vtimas por motivos banais e de forma sutil, sendo percebida por uma significativa parcela de professores, coordenadores e diretores [...], (HORNBLAS, 2009, p. 18), dessa maneira, pode-se afirmar que com o decorrer do tempo, assumiu novas formas causais e conseqncias, j que refletem os distintos valores humanos de um determinado perodo.

Com base nos trs autores consultados anteriormente, Hornblas (2009), Neto (2005) e Nogueira (2007), h duas formais possveis de manifestao do bullying, a saber; direta e indireta. Ao que tange primeira, essa ocorre por meio de aes dirigidas claramente a algum, sob as formas verbais (xingamentos, apelidos e outras tipos de chacota) e ou fsica (agresso a pessoa e seus pertences, inclusive roubos).

J ao que se refere segunda, pode-se caracteriz-la como a atitude camuflada, isto , atravs de rumores, fofocas, negao, indiferena, isolamento entre outras; sendo a mais difcil de identificar no cenrio escolar; e ambas provocam danos fsicos e ou psicolgicos.

Alm disso, h a mstica de que os alunos caracterizam-se como os nicos agentes deflagradores de violncia nas escolas, entretanto se constituem como uma das diferentes peas que a compem, assim no so os exclusivos atores desses casos, pois como visto anteriormente, representam uma das trs possveis vertentes por onde a violncia apresenta a sua gnese, o que reafirma [...] a apreenso de processos de construo da violncia nas escolas, considerando distintos atores, como professores, diretores, funcionrios e alunos e focalizando tanto percepes como construtos da realidade que as embasam, (ABRAMOVAY et al., 2006, p. 79). Nessa mesma ptica, Salles (2008, p. 16) refora que essas prticas so moldadas pelos valores, regras e princpios sociais adotados pelos diferentes atores, adultos e jovens, que se fazem presentes no contexto escolar.

mister refletir que atos de violncia escolar no so tpicos das unidades pblicas como parte integrante do seu cotidiano mas tambm se apresentam na realidade das escolas particulares. H nesse caso, uma questo relacionada s suas respectivas fragilidades, em outras palavras, o grau de interferncia frente aos contextos social, cultural e econmico, assim as escolas pblicas;

[...] apresentam um maior grau de vulnerabilidade, visto que so menos providas de recursos humanos e materiais, com maior ndice de abandono, evaso e reprovao, uma maior diversidade cultural da clientela e, portanto menos homogneas do que os estabelecimentos da rede privada. (ABRAMOVAY et al., 2006, p. 34).

Neste cenrio, cada segmento de escolas, seja da rede pblica ou da particular, apresenta diferentes formas de manifestao de violncia, que refletem suas prprias realidades, apesar de compartilharem similaridades, tanto forma (fsica, psicolgica e simblica), quanto origem das mesmas, pois so oriundos da intolerncia, indiferena, preconceito, racismos e segregao, que podem desabrochar no primeiro ou no segundo plo gerador de violncia como visto anteriormente que em rpidas palavras so respectivamente, na prpria escola e ou fora desta.

Com base nos ltimos pargrafos, percebe-se que os casos de violncia na escola so resultados de distintos fatores, internos e externos ao ambiente escolar, representando o contexto social de um dado perodo e, alm disso, envolvendo a todos, em outras palavras, abarcando as possveis interaes entre os indivduos que interagem nesse ambiente. Assim, como se caracterizaria a influencia da gesto nesse cenrio?

Escola: violncia e gesto

A violncia, como observado anteriormente, um fenmeno presente no cotidiano escolar, possivelmente desde a sua gnese, assumindo as mais variadas formas e conseqncias, ao longo dos anos, onde seus efeitos, de acordo com Aquino (1998, p. 03) [...] representam, sem dvida, a parcela mais onerosa de tais vicissitudes.

Quando o autor utiliza a palavra vicissitudes refere-se s situaes que se deflagram posteriormente a execuo de um caso de violncia escolar, em outras palavras, as aes que so desencadeadas aps essas ocorrncias, que visam restabelecer a ordem, a recuperao fsica ou psicolgica e a conscientizao do agressor, nessa ptica;

[...] a palavra de ordem passa a ser o encaminhamento. Encaminha-se para o coordenador, para o diretor, para os pais ou responsveis, para o psiclogo, para o policial. Numa situao-limite, isto , na impossibilidade do encaminhamento, a deciso, no raras vezes, o expurgo ou a excluso velada sob a forma das transferncias ou mesmo do convite auto-retirada. (AQUINO, 1998, p. 02-03).

Assim, pode-se afirmar que a gesto possui um papel fundamental, embora no se caracterize como o nico agente de interferncia em todo esse cenrio escolar, incluindo a sua influncia na intensidade e freqncia que os casos de violncia escolar assumem nas unidades de ensino.

Nesse sentido, a escola enquanto instituio favorece a homogeneizao dos alunos atravs de vrios fatores determinantes como, por exemplo, a distribuio e ordenamento das salas, o uniforme, as normas de conduta internas, partio do tempo e outros, assim;

O sujeito concreto, enquadrado em determinadas coordenadas institucionais especificas, no pode ser encarado como um prottipo individual de uma suposta natureza humana padro, tomada como modelo universal, ideal e compulsrio, que no suportaria idiossincrasias (tomadas, por sua vez, como desvio anomalia, distrbio). (AQUINO, 1998, p. 05).

Dessa maneira, construdo um esteretipo de aluno padro, logo aqueles que no se enquadram so, concomitantemente, considerados discentes problemas, pois atravs de alguns dos seus atos, ocorre a manifestao da no representao do papel estereotipado que lhe fora atribudo pela rotina burocrtica e no reflexiva, que realidade em uma parcela significativa das escolas. Dessa forma, alguns atos podem se desdobrar nas formas de violncia escola e ainda de bullying.

Por isso, deve-se desconstruir essa imagem pr-concebida e analisar as situaes como nicas, ou seja, refletir sobre os seus motivos e, a partir disso, propor de fato encaminhamentos e adotar procedimentos mais adequados para as mesmas, com isso, percebe-se que no ambiente escolar, as diversas decises so aplicadas para solucionar situaes durante a sua ocorrncia e, no necessariamente, so resultados de processos reflexivos, conseqentemente, no se vinculam a uma proposta planejada, assim [...] a realidade da escola feita de urgncias e muitas decises so tomadas na incerteza [...], (THURLER, 2001, p. 116).

Nesse sentido, as decises tomadas no so reflexo da realidade organizacional escolar, o que acarreta a construo de um cenrio baseado no resultado gerado pelas tomadas de deciso, que variam a partir das distintas possibilidades de direcionamentos.

Com isso, a gesto deve constituir uma equipe engajada em um projeto atuante, transformando os possveis descompassos administrativos e pedaggicos em situaes de aprendizado, [...] visto que ela contribui para construo coletiva e cooperativa da mudana, (THURLER, 2001, p. 120).

No entanto, o papel da coordenao pedaggica, nos limites legais da sua funo e naqueles que de fato existem em cada organizao escolar, como fruto de distintas dinmicas internas, fundamental para a construo e manuteno de uma organizao reflexiva e participativa, pois o elo entre as esferas pedaggicas e administrativas.

Desta forma, atravs da articulao e integrao de prticas de avaliao/assistncia pedaggica e didtica, que a coordenao e a direo visam formar um grupo docente, engajado na manuteno da qualidade da unidade escolar, pois os mesmos interferem no seu funcionamento.

Nessa ptica, deve existir um lao construtivo entre a cultura organizacional e o desenvolvimento do professor, pois nessa inter-relao, que a direo pode atuar junto coordenao, na construo de um processo de ensino e de aprendizagem dialogado e dinmico, que possibilite a formao crtica, conseqentemente, de um indivduo ativo na (re)construo do seu contexto social, alm disso, promovendo, concomitantemente, a manuteno e conscientizao permanente dos casos de violncia escolar, dessa forma, os minimizando sem a gerao de mais violncia.

Conforme o desenvolvido acima, pode-se afirmar que a simbiose entre gesto e coordenao constitui-se como o agente articulador e integrador das aes pedaggicas, atravs da sua manuteno e a partir das definies contidas no projeto pedaggico, proporcionando a funcionalidade do ambiente em um caminho mais autnomo, descentralizando decises e reduzindo relaes impositivas, nesse sentido, propiciar-se-ia a reflexo dos membros envolvidos quanto a sua insero no fazer pedaggico, sendo essa, a condio para a melhoria da qualidade na convivncia entre os membros da organizao escolar e dos seus processos.

Com isso, a liderana condicional na mudana da realidade escolar vivida, pois [...] consiste em propor pticas mobilizadoras [...] conceber as estratgias de mudana [...], (THURLER, 2001, p. 146).

Nesse sentido, a gesto poderia praticar o empowerment [...] parte de um campo de foras, a mesmo ttulo que outras variveis [...] que se conjugam em um esforo pactuado e sistemtico para melhorar a gesto do progresso dos alunos., (Thurler, 2001, p. 159) dos professores e coordenadores, pois asseguraria a autonomia necessria para os mesmos [...] fazerem seu trabalho e repens-lo, (THURLER, 2001, p. 157), dessa forma, reconhecer e delegar, so aes fundamentais que a direo exerce para possibilitar as suas participaes efetivas, acerca das prticas pedaggicas, em que os agentes envolvidos reconhecem o seu papel e influenciam na qualidade dos processos da escola.

Para tanto, seria necessrio transformar hbitos da cultura organizacional escolar, porque demandaria novas relaes de poder e diviso do trabalho, com isso, a origem dessa mudana no se caracterizaria atravs de uma ao imposta por alguma minoria, mas concebida de fato pelo grupo na busca da cicatrizao das chagas escolares, dentre essas, a violncia; e o diretor [...] pode fazer as competncias emergirem, facilita a concepo e aplicao de novas modalidades organizacionais, fica escuta de novas idias, critica-as de maneira construtiva [...], (THURLER, 2001, p. 162).

Consideraes finais

Conforme o desenvolvido ao longo do artigo, a gesto escolar deve favorecer a constituio de uma liderana, assumida [...] de modo cooperativo por um conjunto de atores, nenhum dos quais lder formal e informal o tempo todo [...], (THURLER, 2001, p. 161).

Com isso, possvel afirmar que a direo pode contribuir na organizao da equipe escolar, para que os agentes envolvidos direcionem seus esforos na mesma direo, em outras palavras, trabalhar em harmonia para o pleno funcionamento da escola, elevando a qualidade dos processos de ensino e de aprendizagem, alm disso, minimizando os eventos de violncia que so considerados comuns por causa da sua freqncia de ocorrncia. Dessa forma, a funo do diretor de agente ressignificador sob uma ptica global de divises das tarefas e de outros direcionamentos organizacionais.

Referncias Bibliogrficas

ABRAMOVAY, Miriam (Coord.). Cotidiano das escolas: entre violncias. UNESCO, Observatrio de Violncia, Ministrio da Educao, 2006. Disponvel em; http://unesdoc.unesco.org/images/0014/001452/145265por.pdf. Acesso em 05 jan. 2010.

AQUINO, Jlio Groppa. A violncia e a crise da autoridade docente. Campinas: Cad. CEDES vol. 19 n.47. Disponvel em; http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v19n47/v1947a02.pdf. Acesso em 10 fev. 2010.

BARRETTO, Vicente. Educao e violncia: reflexes preliminares. IN: ZALUAR, Alba (Org.) Violncia e educao. So Paulo: Cortez, 1992. p. 55-64.

CHARLOT, Bernard. Prefcio. IN: ABRAMOVAY, Miriam (Coord.). Cotidiano das escolas: entre violncias. UNESCO, Observatrio de Violncia, Ministrio da Educao, 2006. Disponvel em; http://unesdoc.unesco.org/images/0014/001452/145265por.pdf. Acesso em 05 jan. 2010. p. 17-25.

CHARLOT, Bernard. A violncia na escola: como os socilogos franceses abordam essa questo. Porto Alegre: Revista eletrnica Interface, ano 4, n8, jul/dez 2002, p. 432-443. Disponvel em http://www.scielo.br/pdf/soc/n8/n8a16.pdf. Acesso em 26 jan. 2010.

HORNBLAS, David Sergio. Bullying na escola; como crianas lidam e reagem diante de apelidos pejorativos. Dissertao (Mestrado em Educao) PUC-SP, So Paulo. 2009. Disponvel em; http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=10305. 04 abr. 2010.

NETO, Aramis A. Lopes. Bullying Comportamento agressivo entre estudantes. Revista da Sociedade Brasileira de Pediatria, 0021-7557/05/81-05-Supl/S164. 2005; 164-172. Disponvel em; http://www.observatoriodainfancia.com.br/IMG/pdf/doc-158.pdf. 04 abr. 2010.

NOGUERIA, Rosana Maria C. D. P. de A. Violncias nas Escolas e Juventude: um estudo sobre o bullying escolar. Dissertao (Doutorado em Educao) PUC-SP, So Paulo. 2007. Disponvel em; http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=5084. Acesso em 04 abr. 2010.

SALLES, Leila Maria Ferreira et al.. A violncia no cotidiano escolar. Educao: Teoria e Prtica. v. 18, n.30, jan.-jun.-2008, p.15-23. Disponvel em; http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/educacao/article/viewFile/1399/1157. Acesso em 04. mar. 2010.

THURLER, Monica Gather. Inovar no interior da escola. Porto Alegre: Artmed, 2001.

1Especialista em Gesto Escolar Universidade Cidade de So Paulo UNICID. Bacharel e licenciado em Geografia Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo. Professor Efetivo da Rede Estadual de Ensino de So Paulo. Email: Este endereo de e-mail est protegido contra spam bots, pelo que o Javascript ter de estar activado para poder visualizar o endereo de email




Atualizado em ( 31-Out-2012 )
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
Advertisement
Advertisement

Qual a sua opinio?

BASTA DE INTERDIO DE ESCOLAS PBLICAS.