Uma caneteada para o fim greve (Julho/2011) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Jornal da Educacao   
15-Jul-2011


A aprovao do Projeto de Lei Complementar N 026 pelos deputados, no dia 13 de julho, em sesso tumultuada, foi uma espcie de declarao de final da batalha entre o governo do estado e os professores da rede estadual de ensino em greve h dois meses. Apesar do SINTE-SC manter em sua pgina da internet a afirmao de que a greve continua.


Durante a semana da aprovao do projeto pela ALESC, com 28 votos favorveis e apenas 8 contrrios, o governo anunciava que 80% dos professores j haviam retornado s salas de aula e o Comando de Greve alegava que a adeso continua entre 40% e 50%.
Juntamente com o projeto, foi aprovada a proposta do governo de pagamento dos dias descontados na folha de junho em folha suplementar aos professores que retornassem ao trabalho at o dia 15 e tivessem seu cronograma de reposio aprovado pela escola.
Num nico ato, o governo conseguiu aprovar seu projeto impondo novos valores aos diversos nveis do plano de cargos e salrios para os professores. Ao ter aprovados os novos valores propostos por faixa da tabela (embora maiores do que os da tabela anterior) e j pagos na folha de maio e junho, sepulta-se o atual, conquistado pela categoria aps trs grandes greves nas dcadas de 1980 e 1990.
Na prtica, passa a valer a nova tabela e juridicamente, o governo est pagando o Piso Nacional do Magistrio a todos os professores. A diferena entre os valores propostos pelas tabelas pelo Comando de Greve no incio de junho, com aplicao de novos valores para o plano de carreira aplicando percentuais de forma gradativa a serem pagos at novembro deste ano, em alguns nveis, chega a 150%.
Efetivamente, no dia seguinte aprovao, os professores que ainda estavam em greve comearam a negociar o retorno s aulas a partir da segunda-feira, dia 18 de julho, quando se inicia efetivamente o perodo de recuperao de aulas, pois nesse dia teria incio o recesso escolar.
Os alunos, mesmo os que freqentaram aulas durante o perodo de greve com os professores que no aderiram ao movimento, ficaro sem frias. Para os estudantes, o prejuzo grande em todos os casos. Seja das escolas em que houve paralisao parcial, seja naquelas em que todos os professores aderiram greve.
Quem retornar na prxima segunda feira, aps dois meses de greve estar na prtica iniciando o processo de aprendizagem novamente, pois se as crianas e adolescentes esquecem tudo de um para outro ms, imagine parar no meio do processo e ter que recomear.
Para os professores, que voltam de cabea erguida, embora estejam se sentindo, em parte perdedores, os ganhos foram muitos. Os salrios foram reajustados, os dias parados abonados e os salrios pagos.
E a maior de todas as vitrias: toda a sociedade catarinense descobriu o desvio das verbas do Fundeb, com o aval tanto do poder legislativo, quanto do poder judicirio poca da aprovao do oramento geral do estado h anos atrs.
Ou seja, se no serviu para conquistar um salrio mais digno, serviu para que a sociedade catarinense reconhece a categoria como importante, fez todos pensarem em educao e mais, fez com que todos ficassem mais atentos aos mandos e desmandos dos governantes catarinenses.
Um nico fato ficou em suspenso, o discurso dos polticos tanto do governo como de oposio. Cada qual querendo puxar a brasa para a sua sardinha. E o mais importante, no adiantou apelar para o corao mole dos professores pedindo, o famoso, voto de confiana nesse governo que est no poder h seis meses.
A verdade que os polticos catarinenses no entendem ainda a diferena entre governo e partido poltico. Entre governador e membro do partido aliado. A greve dos professores, alm de justa, era a favor da educao e contra o Governo do Estado, no contra o governador.
At porque as pessoas que l esto, ficaro por algum tempo, mas o plano de carreira de um professor leva no mnimo, 30 anos para ser efetivado.
Os governantes precisam entender que quando assumem o governo esto assumindo o bnus e o nus do cargo. J tempo de desvincularmos as polticas dos governantes das polticas pblicas de governo.
Que mudem, tambm, os discursos dos polticos, porque os professores j sabem qual voz devem ou no escutar. Neste momento, escutam sua prpria voz e, em muitos casos, do prprio estmago roncando de fome porque no tem dinheiro sequer para comprar comida.
 
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