Um horto de aromas, sabores e conhecimento! PDF Imprimir E-mail
27-Mai-2011


O projeto Chá com Arte – A formação da consciência ecológica começa pelos sentidos, um dos ganhadores do 18º Prêmio Embraco de Ecologia 2010, está sendo aplicado no CEI Raio de Sol I e já conseguiu levar para a escola até mesmo os avós, que participaram de uma oficina de chás.
 
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 As crianças descobriram sozinhas como fazer para contar quantas peças de corpo de prova precisariam.
 
Joinville – No dia nove de maio, o CEI Raio de Sol I, no bairro Vila Nova promoveu uma oficina de chás e roda de conversa entre os avós das crianças e acadêmicos do curso de farmácia da Univille, para compartilhar conhecimentos científicos e populares sobre as ervas medicinais. 
A atividade faz parte do projeto Chá com Arte – A formação da consciência ecológica começa pelos sentidos.
Desde o início do ano o projeto  movimentou alunos, professores e familiares na construção um grande horto de chás, em um dos pátios da escola.
O projeto pretende trabalhar os cheiros, aromas, sabores e texturas e, ao mesmo tempo, correlacionar saúde, educação ambiental e arte, assunto que sempre norteou o trabalho das professoras e coordenação. Neste caso, mosaicos, vitrais, e esculturas.
“O trabalho pedagógico leva as crianças ao contato empírico e sensível com a natureza e ao mesmo tempo traz a elas o conhecimento sobre a arte de Alexander Calder e sobre a arquitetura de Antoni Galdi”, explica a coordenadora pedagógica Rosane Mari dos Reis.
Mas esse não seria um canteiro de chás comum. O desafio era montá-lo em forma de um grande quebra cabeça, ferramenta que está relacionada com as brincadeiras e a ludicidade na educação infantil. 
 
Quebra cabeças gigante
 
 
O projeto teve início na construção do molde de papel. Junto com o molde, as crianças receberam também um novo desafio: quantos corpos de prova precisaremos para contornar nosso canteiro? 
Corpo de prova é um cilindro de concreto que as fábricas de usinagem de cimento descartam em aterros do município. 
Curiosas, as crianças lançaram interrogações sobre aquela atividade tão diferente.
O que são corpos de prova?
O que é esse pedaço de papel?
É uma peça de quebra cabeça?
Exploraram as várias possibilidades daquela peça enorme, brincaram, criaram arte com as mãos e pés e descobriram em equipe como poderiam contar os corpos de prova  que circundariam o quebra cabeça.
Cada turma utilizou um tipo de recurso para quantificar. Algumas desenharam círculos, outras usaram tampas de latas de achocolatado em pó, outras recortaram pedaços de papel coloridos no mesmo formato da largura do cilindro.
 
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A turma do II período da professora Patrícia V. de Bitencourt decorou as peças com uma técnica de pintura diferente: com a boca e com os pés, inspiração que surgiu a partir de um calendário desenhado por pessoas com deficiências. A professora aproveitou esta curiosidade natural das crianças para abordar a inclusão. 
 
 
De acordo com os cálculos de alunos e professoras foram utilizados quase mil cilindros de concreto. 
Após a atividade, todos reuniram-se no pátio para unir as peças do grande jogo. A construção do canteiro teve ajuda do avô do Lucas Z. Giuno e do Gustavo Z. Giuno, Orlando Zimmermann,
E em seguida, as mães contribuíram pintando de azul toda a estrutura de concreto. As crianças deram o toque final, com suas pequenas obras de arte inspiradas nos artistas estudados nas salas de aula.
 
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As crianças e professoras quebraram a cabeça para montar as peças no pátio. 
 
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Vamos chamar nossos avós?
 
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A próxima etapa foi a preparação da oficina de chás com os avôs e avós. O desafio foi então a construção de uma instalação artística que divulgasse o teor da Carta da Terra aos participantes, tema trabalhado em classe.
Todas as turmas estudaram os princípios da Carta da Terra para Crianças, conversaram sobre o assunto, expuseram suas opiniões, assistiram vídeos e em seguida montaram uma carta gigante, com vários metros de comprimento. 
Os alunos do II período ilustraram os princípios à sua maneira, alguns colocaram imagens, outros fizeram instalações, com bonecas e materiais reciclados. Os alunos do I período montaram um planeta terra com materiais reaproveitados e os alunos do maternal, pintaram as toalhas das mesas utilizadas no evento.
Na oficina estiveram presentes avôs e avós, representantes do Prêmio Embraco de Ecologia e da Secretaria de Educação, professores e funcionários.
 
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“2. Somos parte de um grande universo. Nesse universo nosso planeta é cheio de vida. Com muitas plantas animais e pessoas. Juntos formamos uma única comunidade de vida, onde dependemos uns dos outros para garantir nossa sobrevivência no planeta.” – Uma das propostas da Carta da Terra, pelos alunos do II período da professora Carmen Lúcia Franco.
 
 
Enquanto os alunos e o professor Luiz Wiese, do curso de farmácia, passavam orientações de como utilizar determinados tipos de chás, qual a melhor forma de fazer cada chá, cuidados que se deve ter ao desconhecer a procedência das ervas, os convidados degustavam doces, biscoitos e chás criados e produzidos pelas acadêmicas de gastronomia da Univille, também convidadas para o evento.
 
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Os aromas, tipos e sabores dos chás
 
Todas as instalações externas são fruto de muitas horas de trabalho dentro da sala. Nela, os pequenos aprendem brincando sobre a mistura das cores, as linhas, as formas diferentes, como circulo, quadrado, retângulo. Assistem a vídeos sobre os temas, adequados para cada idade, podem visualizar as obras dos artistas estudados através de imagens trazidas pelas professoras. 
E as ideias aparecem. As crianças exercitam a criatividade criando as suas próprias versões das obras e esculturas dos artistas. A turma do II período, coordenados pela professora Tatiana Joice Schmidt, decidiu construir uma praça do chá, com pufes, mesas de pneus coloridos e tampos de mosaicos. 
As crianças do maternal da professora Maria Irene P. da Silva e a sua auxiliar Cristiane de B. M. Peixer também participam na montagem desta praça, confeccionando uma tenda-vitral de tecido utilizando sombrinhas descartadas. Para confeccionar esta tenda, as crianças buscam inspiração na artista Jean Shin, que transforma lixo em esculturas e instalações, além dos vitrais e mosaicos de Antoni Galdi, representados na combinação dos tecidos coloridos das sombrinhas.
A turma do maternal, orientada pela professora Janaina A. dos S. Schluter e auxiliar Alessandra Pelincer, ao estudar o artista Antoni Galdi descobriu que uma de suas obras é um lagarto gigante todo revestido de mosaico que está instalado em uma praça em Barcelona, na Espanha.
Os pequenos decidiram então, depois de muita conversa e histórias sobre quais animais que mais gostam, confeccionar uma grande tartaruga do mesmo material que o artista.
A coordenadora explica que as atividades são desenvolvidas no ritmo de cada turma, de maneira tranqüila. Quando necessário, as professoras recuam, voltam, refazem o processo, modificam alguma coisa, o quanto for necessário para que as crianças sejam agentes ativos do processo de aprendizagem.
 
E o canteiro de chás?
 
O horto de chás ainda não está finalizado. Ele será contemplado com grama e lajotas criadas pelos alunos.  As crianças da professora Mikaela Tavares dos II períodos matutino e vespertino produzirão plaquetas de identificação das ervas.
O plantio será indicado pelo professor Luiz Wiese. De acordo com uma listagem indicada por ele, as crianças escolherão as ervas e o plantio acontecerá antes do recesso.
No segundo semestre será enfatizado o uso dos chás, seus tipos, espécies, aromas, sabores e culinária (preparo de biscoitos, chás, bolos). Serão produzidos bonecos de chá, almofadas e outros, conforme as aulas forem acontecendo. 
Em outubro, mês do encerramento do projeto, as mães serão convidadas a participar de uma oficina de velas e sabonetes, produzidos com as ervas cultivadas no horto. 
Atualizado em ( 27-Mai-2011 )
 
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