A educao do povo japons chama a ateno do mundo (Maro/2011) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Jornal da Educacao   
28-Mar-2011


Dentre todas as imagens do terremoto, seguido de tsunami, e pela maior de todas as temeridades, a radioatividade, ocorrida no Japo, aquela que mostrou um grupo de crianas acompanhadas apenas por uma professora, que aguardavam calmamente o socorro a mais significativa para quem trabalha ou vive a educao.
Que o povo japons deu exemplo de civilidade diante da tragdia em escala crescente, ningum tem dvidas. Sabemos que as tragdias so os momentos de conhecermos verdadeiramente a personalidade de uma pessoa.

praticamente impensvel para ns brasileiros, compreender como nenhum jornalista estrangeiro, dentre os milhares que l estavam e foram para fazer cobertura, presenciou ou noticiou pessoas tentando furar a fila da comida, do supermercado ou do atendimento sade.
Alis, a calma e as lgrimas transpareciam no rosto de todos os entrevistados e era, invariavelmente apontada como a caracterstica mais marcante daquele povo que bem poderia ser qualificado como sofrido.
Mas aquela imagem de uma dezena de crianas pequenas, sentadas tranquilamente num barco, visualizando os destroos de sua cidade, aguardando o socorro, sem chorar, nem gritar a prova de que elas, as crianas, estavam sentindo-se em segurana com sua professora.
A imagem revela ainda que o conceito e os resultados em educao para a nao japonesa so infinitamente diferentes dos brasileiros. Num olhar superficial j era possvel detectar que aquela sociedade efetivamente valoriza o papel da professora e do professor.
Significa dizer que, alm de ter a confiana da sociedade e o compromisso com a segurana e a integridade fsica e psicolgica de seus alunos, a professora teve autocontrole e autodisciplina para, assim como milhares de outros japoneses, fazer a sua parte.
Nem seria necessrio dizer que se tratava de uma professora e sua turma sendo socorrida, mas os jornalistas mostravam e fizeram questo de registrar, que crianas estavam calmas e tranqilas. Alis, a cada dia so vistas novas imagens da destruio de parte do Japo, mas no se viu face de japons desesperado, aos berros culpando a tudo e a todos por suas tragdias.
A imagem do pas destrudo contrasta com a calma do povo japons diante de tanta desgraa. A justificativa seria a de que se trata de um povo acostumado e treinado para lidar com terremotos. Vale lembrar que a palavra tsunami japonesa. Mas ser mesmo possvel treinar algum para viver este tipo de situao e mesmo assim continuar solidrio, aguardar calmamente na fila seu bolinho de arroz, o nico alimento de dias?
A julgar pela imagem da professora e seus alunos, a escola no Japo o lugar sagrado da construo do autoconhecimento, da autodisciplina, da civilidade e, claro, do conhecimento cientfico. Cincia esta que legou prdios, pontes e casas que resistem a terremotos muito intensos e que possibilitou ainda a construo das usinas nucleares prximas demais da costa que poderia ser e foi atingida, por uma tsunami.
Alguns cticos diriam que o desenvolvimento de tecnologias que possibilitaram a instalao e o crescimento do pas em regio sujeita a terremotos e tsunamis, j seria prova bastante de que a escola, no Japo, cumpre seu papel. Mas ao ver as imagens e observar a feio dos japoneses, possvel inferir que a escola japonesa ensina muito mais do que conhecimento cientfico. L se aprende e se ensina civilidade, cidadania, solidariedade, autoconfiana, autodisciplina e, para complementar, cincia...
Edio n246 - Maro/2011
 
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