Desvalorizao da categoria leva a apago de professores (Janeiro-Fevereiro/2011) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por MARIA GORETI GOMES   
14-Fev-2011


O ltimo Censo de Educao Superior do MEC constatou que o nmero de profissionais formados nos cursos de pedagogia ou normal superior para atuar nas sries iniciais caiu de 103 mil, em 2005 para 52 mil, em 2009.
A queda na procura pelos cursos de pedagogia constatada anos depois da queda pelos cursos de disciplinas especficas para atuao nas sries finais do ensino fundamental e no ensino mdio. O apago de professores j geral.

O Censo tambm registrou a queda do nmero de graduandos nos cursos de licenciatura no mesmo perodo, de 77 mil para 64 mil. J o nmero de formados no ensino superior cresceu de 717 mil para 826 mil. Ou seja, o jovem brasileiro no quer mais ser professor. E a situao vem se agravando a cada ano at porque muitos dos formados sequer pensam em atuar nas salas de aula.
Biologia, qumica, fsica, ingls e matemtica foram as primeiras disciplinas a ficar com vagas em aberto. Atualmente j faltam professores de artes, portugus, espanhol, geografia, filosofia, histria, educao infantil... Enfim, para toda a educao bsica.
Nas secretarias municipais, que cada vez mais assumem a educao infantil e o ensino fundamental, a falta de profissionais um problema srio. Sobram vagas para professores habilitados especialmente na educao infantil e das disciplinas das sries finais do EF. Engessados pela legislao que obriga a contratar por processo seletivo, geralmente aberto no final do ano anterior, as secretarias, especialmente dos municpios menores, so obrigadas a contratar pessoas sem a formao necessria.
Na cidade de Blumenau e municpios vizinhos faltam professores habilitados para a educao infantil. Em Garuva, a carncia de professores de ingls, j em 2010, obrigou o municpio a suspender a implantao da disciplina nas sries iniciais.
Em So Joo do Itaperi, no ano passado, faltava at mesmo professor de educao fsica. As vagas temporrias normalmente so ocupadas por estudantes ou, na maioria dos municpios, por pedagogos formados nos cursos de pedagogia a distncia. A situao se agrava a cada ano letivo.
O apago de professores, alvo de reportagens dezenas de vezes pelo JE e neste mesmo espao editorial, j em 1997, agora j se concretiza. A situao tende a ficar ainda mais grave, porque em pesquisas recentes junto aos estudantes do ensino mdio, fcil constatar que os interessados em fazer curso de licenciatura, beiram a zero. E os poucos pretendentes, so candidatos aos cursos de educao fsica ou pedagogia.
Pior do que vivenciar o atual apago, continuar a ouvir discursos inflamados de secretrios de educao e polticos, de que doar uniforme escolar investir em excelncia em educao e qualidade. Qualquer pessoa que entenda o mnimo de educao e tem viso educacional macro e micro, sabe que o uniforme no interfere em absolutamente nada na aprendizagem e na qualidade do ensino. Pensar que vestir algum ensinar, s mais uma fantasia.
Nenhum aluno ser nivelado intelectualmente por causa da roupa que igual. Isso querer tratar o diferente como igual e sala de aula no esteira de produo em massa. Somos humanos e nicos. O uniforme no faz o estudante, assim como o hbito no faz o monge.
Estes discursos s reafirman que no Brasil, a educao ainda administrada por pessoas sem uma viso real do que ou no Educao (com E maisculo) ou ensino de qualidade.
A aprendizagem e a excelncia esto somente na relao professor x conhecimento x aluno e todos, inclusive os pais, devem ser educados a valorizar este momento mgico que a aula. Seja ela ministrada na sala de aula ou em qualquer outro ambiente.
Valorizar professor no s pagar salrio. pagar a ele o salrio merecido pela formao superior e pelo trabalho que faz. consider-lo o principal de todos os profissionais que atuam na escola, todos os outros devem trabalhar para criar o ambiente sagrado do saber (relao professores x aluno) e criar uma carreira de professor que premie por mrito e, por isso, atraente.
O novo Plano Nacional de Educao prev salrio de professor igual ao de mdicos, engenheiros, biolgicos, advogados e demais profissionais de nvel superior...E talvez este seja um dos passos, porque afinal, se o mdico cuida do corpo fsico e da evoluo adequada, o professor cuida da essncia deste corpo, a intelectualidade. Ou seja, a parte que realmente interessa sociedade e que nos torna cidados plenos.
Mais de uma dcada aps o primeiro editorial, continuamos a concordar com Darci Ribeiro. Para ele e para ns, o problema no o salrio do professor. H professores que ganham muito para o trabalho que fazem e professores que ganham pouqussimo para o desempenho que tm.
Portanto, no o valor, mas a forma de como o Brasil estabelecer os critrios para pagar mais aos bons professores e menos aos ruins. E reafirmamos, mais do que um salrio ideal preciso criar o ambiente ideal de trabalho para que o professor e seus alunos progridam.

 
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