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Histórias da Educação

Cultura Maker, uma possibilidade para a educação

Por Lauren Fabrin1

 

Nossa capacidade de criar, recriar, transformar e adaptar é infinita. Saviani (2007) traz a perspectiva do trabalho e da educação como “atributos do homem” e apoia sua análise em estudos de Bergson, que diz que deveríamos ser chamados de Homo faber, não Homo sapiens, devido à nossa imensa capacidade de criar, de fazer ferramentas para fazer ferramentas, multiplicando de forma infinita as possibilidades de criação. A Cultura Maker vem ao encontro desta compreensão de ser humano, buscando despertar o que parece estar adormecido em nós como resultado de nossa cultura.

Existem vários olhares sobre a Cultura Maker ou, como também pode ser chamada, Movimento Maker, e, entre estes olhares, o Manifesto do Movimento Maker, escrito por Mark Hatch (2014), apresenta o movimento em nove princípios norteadores que podem ser apropriados por qualquer pessoa que queira adotar este estilo de vida. Fazer é o princípio mais importante e permeia todos os outros princípios. Está presente inclusive no nome que provém da língua inglesa, “make” que significa “fazer”. Fazer é parte da expressão e materialização externa daquilo que somos, como uma extensão de nós mesmos, e por isso é tão importante e central para na Cultura Maker.

Outro princípio fundamental para o movimento é o compartilhar tanto aquilo que foi feito quanto conhecimentos e habilidades. Este princípio envolve os atos de ajudar e de ser ajudado, multiplicando conhecimentos, ideias e habilidades, e que podem acontecer em espaços coletivos físicos ou virtuais. Com este movimento de troca, os projetos individuais, antes limitados, são potencializados. Outra forma de compartilhar é dando nossas produções a outras pessoas. O princípio de dar a alguém algo feito por nós mesmo é profundo e dá sentido à produção, que carrega parte quem a fez.

O aprender é outro princípio indispensável para o movimento, pois é aprendendo e ensinando, que os projetos podem ser aprimorados. Na Cultura Maker não se pode parar de aprender. A brincadeira também faz parte do movimento, que é um elemento essencial para a produção, pois, segundo Hatch, construir é uma forma de brincar. Ele ainda acredita que a brincadeira é promotora de inovação, algo muito valorizado em nossa cultura. E, para construir e produzir, são necessários equipamentos, dos mais simples, como uma caneta, aos mais complexos, como uma impressora à laser.

No Manifesto Maker, Hatch faz um apelo ao leitor para que insira essa cultura em seu dia a dia, promovendo uma mudança em todas as esferas, tanto individuais como coletivas. A escola também pode se apropriar da Cultura Maker de diversas formas. Ter o fazer como algo central é uma forma de aprender, pois para fazer é preciso saber e é então que o conteúdo ganha sentido e propósito. Os princípios de compartilhar, de aprender e de ensinar também podem ser aproveitados em ambientes de educação, pois promovem uma interação colaborativa entre as pessoas.

Enfim, aos que aderirem à proposta do fazer e da cooperação, será experimentado um sentimento de satisfação e de realização por descobrir suas potencialidades no fazer e descobrir relevância naquilo que se faz e na interação com outros, que resulta na ampliação das ideias, dos projetos e do conhecimento.

Referências
HATCH, Mark. The maker movement manifesto. Nova York: McGraw-Hill, 2014.
SAVIANI, Demerval. Trabalho e educação: fundamentos ontológicos e históricos. Revista Brasileira de Educação, v. 12, n. 34, p. 152-180, jan/abr 2007.